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![]() 24/02/01 Como policial, estive envolvido na persegui''o ao Falun Gong desde o in'cio, tendo inclusive comandado diversas opera''es durante as quais os praticantes foram presos, detidos ou espancados. Eu pensava que a minha 'nica responsabilidade como policial era manter a ordem e a estabilidade social e obedecer 's ordens de oficiais dos escal'es superiores. Nunca dediquei momentos calmos a refletir sobre por que um acontecimento desta grandeza estaria ocorrendo na China neste momento da hist'ria, nem considerei as causas subjacentes, certas ou erradas, boas ou m's. Por meio das primeiras investiga''es sigilosas, sab'amos que os seguidores do Falun Gong eram todos pessoas gentis com altos padr'es de moralidade ' por'm, obedecendo a ordens superiores, os perseguimos sem piedade. No ano passado tive contato com in'meros praticantes do Falun Gong. Eu estreme'o diante da sua aura de corre''o, determina''o e coragem frente aos castigos e mesmo ' morte. Admiro enormemente sua discreta mod'stia, seu pacifismo, forte autocontrole e compaix'o, e estando perto deles fiquei impressionado acima de tudo pela verdade e abnega''o que praticam. Mas ' dif'cil transformar id'ias antigas. Apesar das muitas oportunidades que tive para entrar no mundo deles, ainda pratiquei muitos atos inescrupulosos que feriram esses praticantes gravemente, no n'vel tanto f'sico quanto emocional. Recentemente, ap's ler textos distribu'dos secretamente que mostravam a repress'o e o assassinato brutal de seguidores do Falun Gong pela pol'cia, comecei a ponderar racionalmente sobre o que t'nhamos feito. Tenho de admitir que nossa conduta foi imoral, ilegal e imperdo'vel. Eu agi de maneira irrespons'vel e agora sinto vergonha de encarar o Partido Comunista e o povo. Sim, sou um policial, mas n'o um policial que serve ao povo. Um policial que serve ao povo deveria considerar os interesses do povo acima de tudo e fazer o poss'vel para proteg'-los. Por'm, neste 'ltimo ano, o que fiz? Tenho um distintivo nacional no quepe, mas ele est' manchado com o sangue de in'meros seguidores do Falun Gong. Tratam-se de pessoas boas que deveriam ser honradas, amadas e respeitadas. H' muitos dias estou imerso em uma dor terr'vel. Nunca serei capaz de me perdoar pelos crimes que cometi. Arrependo-me de n'o ter dado ouvidos a bons conselhos e de ter agido por conta pr'pria sem distinguir o certo e o errado. Considera''es sobre os meus pr'prios interesses refor'aram o selvagem que existe em mim, e me tornei totalmente irracional. Sempre pensei que eu fosse muito sabido. Apesar de ter apenas 30 anos de idade, tenho uma boa carreira e um cargo de respeito, com v'rios feitos de destaque. Por'm hoje percebo que fui tolo, pois n'o soube sequer diferenciar o certo do errado ou o bem do mal. Sem um pensamento independente e racional, n'o soube fazer um julgamento claro sobre essa quest'o fundamental. Em conseq''ncia, tornei-me uma arma nas m'os de Jiang Zemin, um c'mplice imperdo'vel de seus crimes contra o povo. Durante a minha contempla''o, comecei a despertar e a compreender cada vez mais essa quest'o. Agora penso que eu deveria usar minha posi''o e experi'ncia para alertar as pessoas ' principalmente meus colegas policiais que ainda perseguem o Falun Gong ' e dizer-lhes a verdade. Contudo, na cruel situa''o em que nos encontramos, n'o posso fazer isso abertamente ' posso apenas escrever esta carta para expressar o arrependimento de uma alma cheia de remorsos. Amo muito o meu pa's e seu povo. Gostaria que agora mesmo todos pudessem despertar e ver com clareza todas as mentiras e os boatos inventados e traidores. Espero que as pessoas descubram totalmente as inten''es sinistras de Jiang Zemin e se mobilizem para conter o mal e contribuir para com o bem. Dando ouvidos ' nossa consci'ncia podemos realmente guardar a solenidade da lei, fazer prevalecer a justi'a e a verdade e ressarcir nosso pa's e nosso povo. Ainda n'o li nenhum livro do Falun Gong, por'm a julgar pelo comportamento excepcional de seus praticantes posso afirmar que eles ser'o os melhores livros que lerei. Acredito que somente livros realmente bons podem gerar pessoas t'o boas e, desse modo, n'o posso deixar de sentir um profundo respeito pelo fundador do Falun Gong. Sinto que ele ' santo, puro e benevolente, assim como o Deus das lendas, e ele consola minha alma fria e insens'vel. Sei que sou pecador demais para unir-me aos seguidores do Falun Gong. Sei tamb'm que minha rela''o predestinada com o cultivo ' muito fr'gil para que eu possa tornar-me um disc'pulo do Mestre Li Hongzhi. Contudo, meu cora''o abra'ou os princ'pios da Verdade, Compaix'o e Toler'ncia, e estando imerso neles sinto-os interpretando a minha vida. N'o consigo mais conter as l'grimas, pois subitamente compreendo por que os praticantes do Falun Gong t'm padr'es morais t'o elevados, por que s'o t'o altru'stas, por que sempre zelam mais pelos outros do que por si mesmos, por que sem se preocupar com sua pr'pria seguran'a continuam vindo a Pequim para apelar: eles o fazem por n's, n'o por eles! Se, apesar de sua enorme bondade para conosco, continuarmos esta persegui''o insana, ser' que podemos dizer que ainda nos resta qualquer consci'ncia, senso de justi'a ou humanidade? N's escolheremos o nosso futuro. Precisamos deixar de nos enganar e passar a ouvir nossas consci'ncias. Temos de parar de cometer um erro atr's de outro. Como podemos continuar ajudando um tirano do mal, desafiando a opini'o e a condena''o mundial? Acreditem, um dia conseguirei juntar a coragem para escrever sobre estes feitos, que s'o vergonhosos demais para serem revelados ao p'blico, e exporei totalmente a persegui''o brutal ao seguidores do Falun Gong. Tornando-me defensor da verdade e guardi'o da justi'a, selarei minha obriga''o como policial de conter o mal e promover o bem. Um policial 24 de fevereiro de 2001 |