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![]() Guilherme Samora Paulistano foi deportado ap's participar de uma s'rie de manifesta''es em defesa do grupo em Pequim DI'RIO DE S'O PAULO, 24 de Fevereiro de 2002 - A Falun Gong continua a despertar a ira do governo chin's. Nem o brasileiro Jan Hendriks Junior, seguidor do grupo de origem oriental, escapou das for'as repressoras da China. Ao lado de chineses e outros estrangeiros, ele foi expulso do pa's, h' pouco menos de 15 dias, depois de participar de uma manifesta''o contra a repress'o ' Falun Gong, em Pequim. E pelo visto os chineses n'o foram muito educados. "Infelizmente fui deportado e maltratado pela pol'cia chinesa. N'o tive permiss'o nem mesmo de entrar em contato com minha embaixada ou fazer qualquer telefonema", conta o brasileiro, que passava temporada de f'rias na China. Considerada por seus seguidores uma filosofia de vida baseada na pr'tica de exerc'cios e medita''o, a Falun Gong representa uma amea'a para o governo da China. O n'mero de praticantes no mundo inteiro assusta o Partido Comunista, que det'm o poder no pa's: s'o nada menos que 100 milh'es. Um grupo bem maior que os simpatizantes do PC no pa's. "O governo chin's tamb'm n'o v' com bons olhos a exist'ncia da Falun Gong em outros pa'ses. A difus'o da pr'tica ' considerada um risco grande", diz o brasileiro. A embaixada da China no Brasil rebate as afirma''es do brasileiro e afirma que a pr'tica representa o mal: "Seu organizador diz que ele ' Deus. Eles dizem que s'o salvadores do povo. Essas id'ias podem afetar o governo", diz Li Baojun, conselheiro pol'tico chin's. Apesar da repress'o, a pr'tica na China ' muito difundida e encontra seguidores por todo o pa's. "At' agora mais de 350 pessoas morreram em sess'es de tortura comandadas pela pol'cia chinesa. Mais de 10 mil praticantes foram enviados a campos de concentra''o e milhares de fam'lias sofrem amea'as", diz Hendriks. "N'o podemos esquecer que a China j' massacrou milhares de tibetanos e destruiu praticamente todos os seus templos, al'm de expulsar o l'der dos budistas no Tibete, Dalai Lama, por consider'-lo uma amea'a ao poder vigente", afirma o brasileiro. Na China, os seguidores da Falun Gong s'o obrigados a viver na clandestinidade. Seus livros s'o queimados pelo governo comunista. "Os chineses ficaram chocados ao saber que no Brasil podemos praticar livremente a Falun Gong, que nasceu l'", explica Eliana Chinn, outra seguidora do grupo que tamb'm participou de manifesta''es na China. Medita''o A Falun Gong surgiu em 1992, na China e a express'o significa A Grande Roda da Lei. Seu fundador, Li Hongzhi, vive atualmente em Manhattan, Nova York, nos Estados Unidos. Ele nasceu em 1951 em Chang-Chun, no nordeste da China. Li baseia seus ensinamentos em uma vida disciplinada orientada pela pr'tica de exerc'cios de medita''o. Seus seguidores misturam pr'ticas budistas e tao'stas, artes marciais, padr'es morais e valores tradicionais. "N'o temos aspira''o pol'tica. Se algum praticante estiver envolvido com pol'tica ele n'o ' mais considerado um integrante da Falun Gong", assinala Hendriks. Os seguidores afirmam que a Falun Gong pode reverter o processo de envelhecimento, al'm de curar doen'as cr'nicas. Os seguidores de Li - que vive dos direitos autorais de quatro livros que publicou nos 'ltimos sete anos - consideram seus escritos sagrados. O livro Zhuan Falun, ou Girando a Roda da Lei, publicado em 1994, ' tido como mais importante de todos. Li explica, em seu livro, que o praticante pode se livrar dos males do corpo. "Basta n'o ter medo de absolutamente nada", escreve. Praticantes fazem exerc'cios no Horto Florestal A pr'tica da Falun Gong - ou Falun Dafa, como ' mais conhecida aqui - est' no mundo todo. No Brasil, principalmente S'o Paulo e Rio de Janeiro, o grupo faz encontros regulares. Na capital paulista, os seguidores realizam seus exerc'cios no Horto Florestal, na Zona Norte. O grupo se encontra de segunda a sexta-feira, as 7h30, e s'bados 's 8h. Aos domingos, tamb'm 's 8h, eles se re'nem no Parque do Ibirapuera, atr's do Museu de Arte Moderna. No Rio de Janeiro, as reuni'es s'o realizadas 's quartas-feiras, na praia de Ipanema. Protesto Os brasileiros tamb'm tomaram parte do protesto mundial em defesa da Falun Gong. Os seguidores no Brasil assinaram uma peti''o para acabar com a repress'o na China. O documento est' Internet: no endere'o http://faluninfo.net/petitions_frame_por.asp qualquer pessoa pode apoiar o movimento. "' um apelo pac'fico para que libertem todos os praticantes que est'o encarcerados e restaure o direito de praticar a Falun na China", diz a seguidora Eliana. Protesto foi arma''o A Falun Gong ficou mundialmente famosa no in'cio de 2001, quando praticantes atearam fogo em seus corpos durante um protesto na pra'a Tiananmen, na China. O local teve sua seguran'a refor'ada e chegou a ser fechado para o p'blico. "Esse epis'dio causou danos a Falun Gong. Dep's contra o grupo", assinala a praticante Eliana Chinn. Segundo ela, a imola''o n'o passou de um plano do governo chin's. "Esta encena''o ' muito usada na China para instigar o 'dio contra os praticantes da Falun Gong e justificar a campanha de exterm'nio", explica. "Mas se houvesse algo de errado com as pessoas que praticam a Falun Gong, n'o deveriam ocorrer mais casos de suic'dio em outras partes do mundo? Outros praticantes n'o deveriam atear fogo em seus corpos? Por que isso s' aconteceu na China?", acrescenta Eliana. Um produtor e um cinegrafista da CNN presenciaram o protesto. O canal de not'cias americano informou que o homem se sentou, espalhou combust'vel e ateou fogo no corpo. Depois, os jornalistas viram quatro mulheres ardendo em chamas, com as m'os em posi''o de medita''o. Os jornalistas chegaram a ser presos e ter a fita confiscada pelos policiais chineses. A China acusou os seguidores da pr'tica de cometer suic'dio. ''Falun Dafa (outro nome que se d' ' seita) ' o primeiro movimento de desobedi'ncia civil da Hist'ria da China. Seu impacto ser' maior que o de Gandhi e Martin Luther King'', disse um comunicado do governo chin's. |